sexta-feira, 24 de junho de 2011

Estilhaços (Parte II)

“De costas baixas e com passos silenciosos, correram até à porta principal, cuja fechadura há muito deixara de funcionar. Abriram-na com cuidado, e espreitaram através de uma fresta para o interior vazio. Após isso, entraram rapidamente e fecharam a porta atrás de si que, ao contrário do que esperavam, não os brindou com o típico chiar arrastado de casa assombrada. Um mero olhar em redor revelava o que os raios de sol iluminavam parcamente: um interior abandonado ao pó, às térmitas e às aranhas que tricotavam nos cantos intrincadas teias.

- Mantém-te atenta, eles podem estar em qualquer lugar – sussurrou Jun, crispando os dedos no punho tosco da espada.

- E podem disfarçar-se de mobília, ou esconder-se nas sombras. – Âmbar lançou um olhar desconfiado a uma cadeira à qual faltava a perna dianteira esquerda e cujo estofo estava roto. – Podem ser qualquer coisa… é melhor começarmos a procurá-los neste andar.

E assim fizeram, vasculhando cada canto sem nada encontrarem. Talvez estivessem prestes a descobrir que os boatos para assustar crianças eram somente isso, assim como já tinham descoberto que nem o Pai Natal nem o Coelho da Páscoa existiam. E com todas essas descobertas, sabiam também que os adultos eram uns grandes mentirosos.

Deixaram a cozinha como último compartimento a investigar e, mal lá chegaram, lançaram olhares de receio a uma passagem escura de porta escancarada. Aproximaram-se só o suficiente para mirar as escadas que desciam e se perdiam no que estava oculto à visão.

- É… é melhor deixarmos a cave para um dia em que trouxermos os primos – ponderou o irmão, claramente com medo de se infiltrar na escuridão. O rosto de Âmbar revelava toda a sua concordância. Ambos os irmãos tinham uma inconfessada fobia ao escuro. Qualquer coisa poderia habitar aquele espaço, talvez uma criatura de garras afiadas que esperaria paciente por criancinhas aventureiras. – Vamos para o piso de cima!”

6 comentários:

p a t r í c i a * disse...

Eu acho que eles deviam levar o grilo da Mulan :D

Uuh, que medo! Estou mesmo ansiosa por conhecr a cave, mas não muito o andar de cima. Deste mais apetite para a cave com o que disseste, eu por mim só ia ao andar de cima depois.

Mas este história de terror vaid ar que falar! Estou mesmo ansiosa por saber o que acontece a seguir! :D *entusiasmo gigante*

Ana C. Nunes disse...

Adorei a menção das aranhas a 'tricotarem' as suas teias. :)
Continua a mostrar-nos o teu trabalho. Estou a gostar.

Vitor Frazão disse...

Cheira-me que o andar de cima será bem pior que a cave... Venham mais partes :)

Leto of the Crows disse...

Nunca disse que ia ser uma história de terror! xD Quem sabe...

Vitor Frazão disse...

Será que neste ponto tu sabes?...

Leto of the Crows disse...

Talvez não saiba... é sempre interessante definir as coisas e mudar-lhes o rumo quando menos esperamos :D